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Fonte: "Tribuna de Piracicaba" (17/06/2010)
Quarteto Arvoredo no Municipal
Proposta do Quarteto é fomentar a música brasileira e promover maior respeito quanto ao gênero
Será uma noite intimista, com a plateia próxima ao grupo. O “calor”, mesmo em época de noites geladas, é uma característica da Sala 2 do Teatro Municipal “Dr. Losso Netto”, onde o quarteto Arvoredo se apresenta hoje, às 21 horas. Optar por este espaço no projeto Prata da Casa foi certeira, porque reforça um dos princípios que os quatros músicos idealizaram – há cerca de um ano – quando iniciaram este trabalho musical: aproximar as pessoas do samba e apresentá-lo como um gênero rico em melodias e palavras.
Como exalta o bandolinista Zé Rui Kleiner, este show será especial. Pela primeira vez, como Arvoredo, ele, Saulo Ligo (cavaquinho e voz), Maicon Araki (percussão) e Marcus Godoy (violão de 7 cordas) se apresentam no Municipal, local tido como necessário para qualquer músico piracicabano que almeja louros no ofício. “O show será todo autoral, com sambas, choros e outros gêneros”, conta Kleiner, que assina as composições em parceira de Ligo.
Três músicas do Arvoredo foram outrora executadas ao vivo em uma apresentação no Lao Bar, em fevereiro deste ano. Naquela oportunidade, o quarteto testou a receptividade e funcionalidade das canções, já maquinando outras novas. E, como a bandolinista sempre ressalta, a pesquisa sobre a história e possibilidades do samba acontece a toda hora, isto é, um movimento de estudar as influências, praticá-las no informal, criar músicas autorais com base nesta referência e, enfim, tocá-las.
Neste processo, o que o Arvoredo tem como intuito é mostrar aos apreciadores do estilo que é possível, sim, dar sangue novo ao samba e gêneros relacionados. “A proposta é explorar os ritmos brasileiros mais difundidos, importantes e propagados no país, respeitando e buscando referências em outros peculiares também da cultura brasileira, como o maxixe, a valsa, o baião e a música caipira, símbolo da cidade”. E deste amor pela terra natal nasceu a ideia de conceber um arranjo especial para o hino do XV de Piracicaba. “Também estou compondo uma marcha sobre o Nhô Quim”, adianta.
Quanto às novas músicas autorais, são elas: "Mundo sem dono", "Muito sal, pouco bem", "Demagogia, entre outras. “De diferente no repertório tem um lundu chamado ´Violando` e dois choros, o instrumental ´Bela Vista` e ´Olhos morenos`” (este em parceria com o carioca Yuri Reis, um choro canção), antecipa Kleiner. “O gênero "lundu" é um dos primeiros gêneros de música urbana no Brasil, o qual teve seus moldes principiados no século 18 e até hoje se tem uma assimilação muito rápida com o público”.
Arvoredo, hoje, às 21 horas na Sala 2 do Teatro Municipal “Dr. Losso Netto”. Ingresso: R$ 10. Na rua Gomes Carneiro, 163. Informações: 3437-9252.
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Fonte: Jornal "A Tribuna" (08/06/2010)
XV de Piracicaba: o Acesso em forma de futebol de botão.
Quando criança quem nunca brincou de jogar futebol de botão? A brincadeira entre os amigos era a melhor diversão entre os meninos, principalmente numa época em que a tecnologia do vídeo game estava em fase de inicial. Na tarde de ontem, o técnico Moises Egert recebeu do músico Zé Rui Kleiner, um jogo de botão com a foto e os nomes dos atletas piracicabanos que conquistaram o acesso para a Série A2 de 2011. “Ficou muito bonito, me recordo quando era criança e jogava botão com meus amigos, quem sabe seja o momento de voltar a praticar”, disse o treinador.
Zé Rui é colecionador e fabrica o próprio botão. Com toda paciência, recorta as fotos de seus ídolos e monta seu time. “É um passatempo. Já fiz diversos times. Tenho o time campeão brasileiro de 1995, o elenco vice-campeão paulista de 1979, entre outros”, disse o músico que fabrica as equipes sob encomenda. “Se alguém se interessar é só entrar em contato”.
A tarde de ontem na sala de imprensa foi de diversão, atletas e jornalistas se divertiram na mesa improvisada. O jogo foi entre o time campeão brasileiro de 1995, contra o elenco do acesso de 2010. O meia Marlon, o técnico Moises e o radialista Nando Lopes se enfrentaram, e quem se deu melhor foi Egert, vencendo por 1 a 0 com gol do atacante Paulinho.
A modalidade vem aumentando de adeptos há tempos. No último mês, no Rio de Janeiro, foi organizado o campeonato mundial de botão, com os mesmos times e grupos da Copa do Mundo da África. O grande campeão foi Honduras. Honduras? “Essa é a graça do botão, são todos iguais. Crianças, idosos, adolescentes, todos jogam em pé de igualdade e vence o mais treinado”, comentou Zé Rui.
Existem controvérsias sobre o pioneirismo do jogo de botão no Brasil. A modalidade é creditada ao campineiro Geraldo Pecourt, em 1929, mas Zé Rui afirma ter vasculhado o arquivo Rocha Neto e encontrado registros datados de 1919, em que o jornalista já brincava com seu irmão na cidade. “Chego à conclusão que Piracicaba foi pioneira. Estávamos 10 anos à frente de Campinas”, finalizou.
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Fonte: Jornal de Piracicaba (10/03/2005)
Músico de Piracicaba tem projeto que ensina história da Música Popular Brasileira.
O bandolinista, compositor, pesquisador, professor e arranjador Zé Rui Kleiner desenvolve um projeto de resgate da cultura musical brasileira através de palestras, aulas, apresentações, oficinas e shows onde ele apresenta a história da música popular brasileira através das tendências musicais de cada década desde os meados do séc. XIX até os dias atuais. “Apresento a história através das músicas e peculiaridades de cada artista”, disse Kleiner.
Estão marcadas para os dias 9 e 10 de abril uma Oficina de Choro e outra Oficina de História da Música Brasileira no Sesc Piracicaba, como parte desta iniciativa.
O projeto já foi desenvolvido com alunos da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) durante todo o ano passado, com aulas semanais que atenderam cerca de 300 alunos.”O objetivo é desenvolver aulas para cada faixa etária, respeitando suas peculiaridades e preferências”, disse. Há materiais específicos para cada período escolar, desde o ensino fundamental até para alunos universitários, além de um material prático para os alunos que se interessarem em praticar os determinados gêneros e ritmos. Além da Esalq, o projeto já foi desenvolvido com crianças carentes da cidade de São Carlos, pela UFSCar, bem como empresas e outras entidades.
Uma dos enfoques do projeto é o estudo da cultura popular de Piracicaba e região (Tietê, Capivari, Campinas). “Sabe-se que os gêneros que aqui existem (apesar de quase extintos), como o samba-lenço, a umbigada, o jongo, a catira, dentre outros, foram fundamentais para a construção de muitos outros gêneros, inclusive pelo ‘sotaque’ paulista que se emprega a todos os outros gêneros”, disse Kleiner.
Do ponto de vista cultural, o projeto visa atingir os alunos que nunca tiveram a chance de conhecer a produção cultural popular brasileira desde séculos atrás ou mesmo despertar o interesse desses pelo assunto. Os costumes, os pensamentos, as situações e as necessidades das classes econômicas, passando pela escravidão, são fatores determinantes de tudo o que vem se passando até aqui. Entender o avanço tecnológico, o descaso com a cultura por parte da mídia, a invenção da gravação elétrica e do rádio é fundamental não só se tratando de música, mas também da política, história, sociedade, economia e outros mais.
O curso é, inicialmente, dividido baseando-se nos gêneros a serem discutidos e analisados sempre com textos preparados a partir de materiais de pesquisadores, professores, psicólogos, críticos, instrumentistas e compositores devidamente organizados para este curso, além de informações sempre atualizadas. No conteúdo dos encontros fica programado a audição de gravações, projeção de slides, mostra de instrumentos musicais de épocas, participação de músicos ao vivo e até a participação prática dos alunos, mesmo que não tenham nenhuma aptidão musical. Vale lembrar que o único pré-requisito é o interesse pelo assunto.
O ponto chave do projeto é a divisão de gêneros, destacando os mais importantes (“choro”, “samba”, “valsa”, “maxixe”, “polca”, “xótis”, “habanera”, “tango-brasileiro”, passando pelos primórdios “modinha” e “lundu”), bem como a mistura que se pratica com todos eles). A partir dessa divisão, coloca-se em evidência todos os compositores e intérpretes de cada época, bem como os instrumentistas e as gravações.
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Fonte: Jornal de Piracicaba (28/06/2005)
Bandolinista piracicabano grava disco dedicado ao choro
Na segunda quinzena de julho, Rui Kleiner, que integra o grupo Corta Jaca, começa trabalho nos estúdios da Acari Records, no Rio
A terra do mestre Pixinguinha será palco para a arte de um compositor e multi-instrumentisita piracicabano. Na segunda quinzena de julho, o bandolinista Zé Rui Kleiner, estudioso do choro, entra nos estúdios do selo Acari Records, no Rio de Janeiro, especializado em choro, para gravar um CD com o grupo de choro, polcas e maxixes Corta Jaca, de Belo Horizonte, do qual passou a ser integrante, e que participa de vários festivais na capital mineira. Com 12 faixas, o disco do grupo (um projeto que tem apoio da Lei de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet) contará com a gravação da polca instrumental "Santa Olímpia", uma homenagem de Kleiner ao bairro piracicabano fundado por imigrantes trentinos, onde o compositor tem amigos. Gênero que remonta ao século 19, a polca é um dos pilares musicais do choro e do maxixe, base do álbum que terá a composição "Primeiro Nós", uma das últimas inéditas de Pixinguinha, e cuja partitura estava na França. O compositor, professor, pesquisador e instrumentista de 26 anos, que cursa Faculdade de Música na Unicamp (Universidade de Campinas) e toca bandolim há seis, conheceu o Corta Jaca – Lúcia Campos (percussão), Marcelo Chiaretti (flauta), Ariana Pedrosa (fagote), Du Macedo (cavaquinho), Juliana Perdigão (clarineta) e Agostinho Paolucci (violão de sete cordas) – em dezembro de 2004, durante o primeiro Festival Nacional de Choro de Mendes (RJ) e passou a integrar o grupo este ano. Maurício Carrilho, um dos donos da Acari, será o diretor musical do primeiro disco do grupo. Maurício é sobrinho de Altamiro Carrilho, considerado um dos maiores flautistas do mundo. Na época, Kleiner havia acabado de compor a polca, que apresentou durante participação especial em um show do grupo, em Belo Horizonte. "Comecei com uma participação especial no grupo e saí como integrante", brinca o multi-instrumentista, que ainda toca violão, violão tenor, rabeca, percussão e violino, além de participar de trabalhos como o da intérprete Mônica Salmaso, como violinista e bandolinista. Apesar de ser piracicabano, sua única ligação musical com a cidade onde mora é o grupo de choro Fogo de Palha, que se apresenta nos fins de semana na Rua do Porto. Preferiu assim por questões ideológicas e em respeito à sua liberdade de tocar. "Aqui em Piracicaba a gente fica muito preso aos eventos", justifica o músico, que já engatou parcerias com os violonistas Alessandro Penezzi e Sérgio Belluco (do grupo piracicabano Som Brasileiro), seus inspiradores. Também lamenta a falta de espaço para quem se dedica a gêneros como o choro. "Isso faz com que a saída, para muitos músicos, seja fazer carreira fora do Brasil." DE VOLTA – O gênero criado pelo flautista Joaquim Calado, em 1880, chegou a cair no esquecimento na própria cidade onde foi criado, o Rio de Janeiro. Lá, por diversas vezes sua data (13 de abril) foi esquecida pelas autoridades oficiais, que não anunciaram nenhuma programação comemorativa. Mas se houve antes um período marcado pelo hiato do gênero, agora existe um ensaio para sua revitalização. Em Piracicaba, grupos como o Corda Solta, formado em sua maioria por jovens músicos, e o grupo de samba e de chorinho Essência Feminina, composto por mulheres, e o próprio Kleiner é uma prova de que o choro luta para sobreviver. Além de compor, o instrumentista também dedica parte de seu tempo a pesquisar suas bases musicais. É um estudioso do choro, da polca e do maxixe, que, acredita, vêm sendo revitalizados. "É um resgate importante, já que remete à formação de nossa própria identidade musical", acredita Kleiner, autor do projeto "Memória Popular Brasileira", que tem por objetivo cultivar a produção cultural no Brasil e educar para a música. ESTÍMULO – O interesse de Kleiner pela música teve início na infância, aos 7 anos, quando começou a tocar violino estimulado pelo avô, que decidiu estudar piano aos 70 anos. Aos 13, teve a oportunidade de acompanhar Sílvio Caldas (1908-1998) ao violino, por ocasião de uma visita do cantor e compositor a Piracicaba. Um fato inusitado o aproximou do bandolim. Durante homenagem a dona Zica (mulher de Cartola), em um Festival de Curitiba, teve a corda de seu violino rompida. Foi a deixa para que pedisse emprestado o bandolim de um músico que passava pelo local e prosseguisse com a homenagem. A partir daí, ele não mais se separaria do instrumento. Foi nesse mesmo festival que o músico conheceu seu primeiro professor, o bandolinista Joel Nascimento, discípulo de Jacob do Bandolim, um músico que elevou o bandolim a patamares do virtuosismo.
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Fonte: Jornal de Piracicaba (25/02/2005)
Práticas da MPB é o novo curso da Empem
Diversos gêneros musicais, com ênfase no choro, serão abordados pelo músico Zé Rui Kleiner
Trabalhar um conteúdo programático, baseado nos gêneros musicais, como o maxixe, a polca, mazurca, canção, "schottisch", modinha, lundu, com ênfase no choro – gênero criado a partir da mistura de elementos das danças de salão européias e da música popular portuguesa, com influência da música africana no século 20 – é a proposta do curso práticas da MPB, que será ministrado pelo músico e compositor piracicabano, Zé Rui Kleiner, nas dependências da Empem (Escola de Música de Piracicaba Maestro Ernst Mahle), a partir de hoje.
Estudar a estrutura musical – ritmo, harmonia e melodia – a percepção, diversidade de estilos dentro da música popular brasileira, elementos sonoros, história da música e como tocar um determinado ritmo em diferentes instrumentos são algumas das possibilidades de aprendizado do curso. Segundo o professor Kleiner, a idéia é que o curso proporcione referências culturais musicais para os alunos. "Quero fazer um resgate, levar um pouco de Brasil para esses alunos, com o objetivo de que conheçam a própria cultura sem estarem presos às partituras", explica. As aulas, que se estendem até o final do mês de junho, abordarão compositores de renome internacional, como Pixinguinha (1897-1973), Jacob do Bandolim (1915-1969), Cartola (1908-1980), Noel Rosa (1910-1937), entre outros. "Não podemos esquecer de Donga (1889-1974), o primeiro compositor de samba que tivemos", completa Kleiner. Para o músico, um momento importante do curso são as aulas de história da música, pois elas trazem referências de tempo, estilo, gênero e formas que permeiam todo o trabalho que vai ser desenvolvido. "Saber de onde tudo veio é primordial. A metodologia do curso inclui fotos, vídeos e claro, muita música", conta Kleiner.
CURRÍCULO – Com 7 anos de idade, Zé Rui Kleiner começou a aprender violino na Escola de Música de Piracicaba Maestro Ernst Mahle. Aos 13, já tocava em orquestras na região. "A música sempre foi tudo na minha vida. Com 13 anos eu toquei na orquestra de Americana e Rio Claro. Adolescente, eu já sabia que era isso que eu queria fazer e já ganhava dinheiro com música". O músico, que aos 15 tocava violão, descobriu seu instrumento favorito, seis anos depois. "Fui tocar violino em uma roda de samba, em Curitiba em 1999. Quando estava tocando, uma corda do meu instrumento arrebentou, aí D. Zica, esposa do falecido Cartola, me disse para tocar o bandolim. Toquei naquele dia e não larguei mais", conta Kleiner, que ao longo da sua carreira, acompanhou os compositores Guinga, Zé Renato, Cristina Buarque, Moraes Moreira, Inezita Barroso, Fátima Guedes, Mauricio Carrilho, Alceu Valença, Silvio Caldas, MPB 4, Quarterto em Ci, entre outros. O artista, que já se apresentou em grande parte das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste e "ficou devendo apresentações pelo Nordeste", sempre está se atualizando. "Viajo muito para tocar e ter aulas com os mestres do bandolim, como Joel Nascimento (RJ), Hamilton de Holanda (Bsb) e Pedro Amorim (RJ)", conta o músico, que hoje também dedica parte do seu tempo ao violão tenor, instrumento quase extinto no cenário da música brasileira.

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